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Dúvidas Frequentes

1) Segundo a Vedanta, a natureza humana é divina. Somos seres espirituais em um corpo físico. Qual o objetivo do homem aqui na Terra?

Swami Vivekananda, o principal discípulo de Sri Ramakrishna, diz: "Cada ser individual é potencialmente divino. A meta é manifestar esta divindade interior, controlando a natureza externa e interna. Faça isto pelo trabalho, pela adoração, pelo controle psíquico ou pela filosofia (discernimento entre o Real e o irreal). Siga um ou mais, ou todos estes caminhos e seja livre. Isto é o que constitui a religião. As doutrinas, dogmas, rituais, livros, templos ou imagens são apenas detalhes secundários". O objetivo da vida humana na terra é realizar a divindade potencial existente em cada ser em sua plenitude e servir ao próximo com respeito e dignidade, mantendo em mente que a mesma divindade está manifestada em todos os seres. O corpo é um instrumento adequado para realizar essa divindade. E quando isso é feito, será uma grande benção para os outros também.

2) Como conciliar a ciência com a espiritualidade?

Arte, música, ciência e religião são diferentes aspectos da única e mesma Realidade. A religião lida com as verdades do mundo metafísico, assim como a física e a química lidam com as verdades do mundo físico. Uma pessoa pode ser científica e ao mesmo tempo espiritual. Da mesma maneira uma pessoa espiritual não perde sua faculdade de questionamento científico. Vedanta encoraja um questionamento científico no mundo da verdade, seja no microcosmo ou no macrocosmo. Nós buscamos e alcançamos as verdades de ambos os mundos; um através da experiência interna e o outro através da experiência externa. Agora, uma verdade perfeita deve estar em harmonia em ambos estes mundos. O espírito e a atitude científicos, com sua paixão pela verdade e ênfase na verificação de conclusões é comum tanto para a religião como para as ciências físicas, como entendida pela Vedanta. Um cientista descobre uma verdade em seu laboratório, publica-o em um jornal científico, um outro cientista checa e verifica o resultado. Ainda assim, isso não é suficiente. Muitos outros cientistas checam-no também e somente então estabelecem uma verdade científica. Assim também é o processo da busca da verdade na religião Vedanta. Um sábio descobre uma certa verdade sobre a dimensão espiritual da personalidade. Um outro sábio recebe essa desafiadora conclusão e descobre-a como verdade também. Então ela é passada por vários outros sábios. E finalmente emerge como uma verdade universal sobre o homem. Ciência e religião são os dois caminhos reais no questionamento da verdade. Eles não são antagonistas. Ambos têm um objetivo idêntico na descoberta da verdade e ajudam o homem em seu desenvolvimento fisico, mental e espiritual - conduzindo a um completo preenchimento. Mas cada uma deles, sozinho é insuficiente e incompleto. Uma combinação dessas duas disciplinas complementares na vida do homem, produz um ser humano completo e integrado, ajudando assim no desenvolvimento de uma maravilhosa civilização humana.

3) Quem foi Sri Ramakrishna?

Sri Ramakrishna é considerado por muitos como uma Encarnação de Deus. Assumiu forma humana em 1836 e viveu cinqüenta anos entre nós. Desde muito novo experimentou, em várias oportunidades, sua divindade latente. Praticou diversas religiões: hinduísmo, com suas incontáveis sendas como yoga, devoção (bhakti), conhecimento (jñana) etc.; islamismo, a religião da devoção a Deus sem forma, Allah; cristianismo, a religião da piedade, em que, por amor do filho, o Divino Pai o recebe em Seu seio e o glorifica; tinha enorme veneração por Buddha. Todos esses caminhos e muitos outros comumente desconhecidos foram percorridos por Ele. Ao fim de Suas práticas, iniciou-se, por indicação da Divina Mãe, no supremo misticismo, chamado Advaita Vedanta, o caminho do monismo puro, e uniu-se definitivamente a Brahman, o Um Sem Segundo. Anteriormente, de diversas maneiras, realizara Deus Pessoal, por Ele chamado Divina Mãe, que logo O fez realizar Deus Impessoal, e, por último, Deus Transcendental. Para cada prática devocional Sua Divina Mãe lhe fornecia um guru (mestre ou mestra) bem versado nas escrituras sagradas, alguém que já havia praticado e realizado o Ideal através do caminho escolhido. Ele era um verdadeiro laboratório de experiências espirituais. Era a Verdade personificada. Para Ele a Verdade e Deus não eram diferentes. Seu advento marcou o início de uma nova revolução na religião e na espiritualidade. Religião é realização, Ele disse. A Verdade é uma, os sábios dão-lhe diferentes nomes. Se alguém pratica disciplinas espirituais com sinceridade e amor pela Verdade, pode alcançar a Deus, ele disse. Os caminhos podem ser muitos, mas eles conduzem sempre à mesma meta. Deus é com forma e sem forma. Ninguém pode colocar um limite, ele enfatizou. Sri Ramakrishna deixou alguns poucos discípulos liderados por Swami Vivekananda e estes luminares espirituais espalharam a mensagem do Mestre por todo o mundo. Hoje, milhões de pessoas, em todos os cantos do mundo, encontram seu despertar espiritual e estão caminhando em seus caminhos, com força, conhecimento, felicidade e paz.

4) Segundo o hinduísmo, estamos atravessando a Kali Yuga (a idade do ferro) O que isso significa?

O pensamento hindu desenvolveu um conceito de templo cíclico através da doutrinas das Yugas ou eras cósmicas. Assim como os gregos acreditavam que existiam quatro eras: a Idade do Ouro, da Prata, do Bronze e do Ferro, que se sucedem nessa ordem, a tradição hindu contempla esses ciclos históricos e os denomina da seguinte forma: Satya Yuga, Treta Yuga, Dwapara Yuga e Kali Yuga. Na sucessão das Yugas a humanidade descende de uma elevada plataforma espiritual, como é vivida na Satya Yuga, para um estado de gradual degeneração nas Yugas subseqüentes. Atualmente estamos vivendo a última dessas quatro eras, a Kali Yuga, também chamada a Idade do Ferro, onde a ignorância e o materialismo, o egoísmo e os vícios etc. prevalecem sobre as virtudes espirituais. É importante notar que na seqüência das eras existe uma gradual degradação do Dharma (lei moral ou retidão). Na Satya Yuga o Dharma é perfeito, na Treta Yuga ele decresce em ¼, na Dwapara Yuga em metade e na Kali Yuga apenas ¼ do Dharma prevalece. Então com o inicio da nova Satya Yuga o estado original de pureza é restaurado, os ciclos começam novamente e assim repetem-se ad infinitum. Esses conceitos são encontrados nos Puranas, textos sagrados que descrevem a cosmogonia e a mitologia na tradição hindu.

5) Yoga e meditação são práticas que podem ajudar o homem a encontrar a sua natureza divina?

A yoga, como entendida no Brasil, normalmente se refere à hatha yoga. Seu principal objetivo é a melhor forma física. Sozinha ela não é suficiente. Ela deve ser combinada com concentração, controle da mente e meditação. Meditação é um meio poderoso para alcançar a meta do autoconhecimento, que é a realização da natureza divina. A meditação, revela em primeiro lugar o que você é, com suas próprias fraquezas e forças. Ela mostra a você qual é a meta. E então age como um meio poderoso para atingir essa meta. Se feita com sinceridade e regularidade, com paciência e perseverança, a meditação pode trazer concentração de poder, dar paz mental e infundir força e coragem para encarar as realidades da vida e superá-las com sucesso, conduzindo no final ao despertar espiritual e à realização da natureza divina.

6) Como a Vedanta vê a questão do pluralismo religioso no mundo de hoje?

A Vedanta aceita e respeita todas as tradições religiosas e encoraja a todos a aprender com os ensinamentos oferecidos pelos profetas e mestres de todas as religiões. Existe apenas uma única Realidade, que se manifesta em variadas formas, com vários atributos, e mesmo sem forma. Essa Realidade é conhecida por vários nomes e não é diferente da Realidade interior. Todas as religiões tem o poder inerente de levar seus seguidores à consumação suprema da meta da vida humana. Todas as religiões são igualmente verdadeiras. Cada segmento religioso possui uma dádiva específica para oferecer à humanidade; cada um traz consigo um ponto de vista peculiar que enriquece o mundo. O Cristianismo enfatiza o amor e o sacrifício; o Judaísmo realça o valor da sabedoria e da tradição espiritual. O Islã acentua a igualdade e a fraternidade universal, enquanto o Budismo advoga a compaixão e a interioridade. As tradições indígenas ensinam a reverência pela terra e pelo mundo natural ao nosso redor. A Vedanta dá ênfase à unidade da existência e à necessidade da experiência mística direta.

7) O hinduísmo é politeísta?

O hinduísmo crê em uma Realidade Suprema que tudo permeia e que em sânscrito se chama "Brahman". Brahman é a realidade infinita, indivisa e imutável por trás de tudo o que aprendemos ou descobrimos por experiência própria, por trás de todo o Universo. A natureza infinita de Brahman impede que ela seja compreendida pela mente ou descrita com palavras. Portanto, os vários deuses e deusas pelos quais o hinduísmo é famoso são tidos como as maiores representações Daquilo que não pode ser completamente representado. Isto permite que o ou a aspirante espiritual escolha a representação que mais ressoa com seu coração. E a consciência de que essa Realidade Suprema jamais pode ser adequadamente representada promove o respeito pela variedade de maneiras nas quais Ela é representada e venerada.

8) Como a Vedanta vê a questão do bem e do mal?

Brahman está além do bem e do mal. Quando a unicidade aparece como muitos, ela precisa, necessariamente, manifestar-se como pares de opostos. O bem e o mal são conseqüências inevitáveis daquele Um que aparece como muitos. O bem é o que por fim nos ajudará a perceber a ilusão de que somos muitos. O mal é aquilo que perpetua a nossa ignorância quanto à nossa verdadeira natureza divina.

9) O que é a lei do karma?

A lei de karma é semelhante à idéia Bíblica de que "você colhe o que semeia". Na física, a lei análoga é "para cada ação existe uma reação igual e oposta". A lei de karma simplesmente coloca a responsabilidade por nossas vidas sobre nós mesmos. Se uma aparentemente boa ou má sorte vier em nossa direção, precisamos merecê-la de alguma forma devido às nossa ações passadas. Estas ações passadas podem ter ocorrido em uma outra vida. Caso contrário, se observamos a várias situações da vida, Deus pareceria ser um Deus arbitrário e parcial.

10) A Vedanta acredita em reencarnação?

Sim. A Vedanta acredita que este não é nosso primeiro nascimento. Quando alguém morre, é apenas o corpo que morre. A essência espiritual da pessoa sobrevive e leva consigo impressões sutis (samskaras) de ações passadas (karmas). No momento adequado, a essência espiritual encarna em um novo corpo. Nossas ações passadas nos dão tendências, talentos e incapacidades físicas ou mentais.